Isabel Moleiro foi a única mulher finalista da Portugal Ultramarathon em 2017

Ela é uma mulher de desafios, de grandes desafios. Procurou na corrida a motivação para mudar uma vida sedentária a nível profissional e que lhe proporcionasse fazer coisas diferentes, que lhe despertasse novas sensações.

Isabel Moleiro é mãe, casada, e partilha com o marido, David Faustino, vários desafios desportivos. Na verdade, também foi ele a influência de Isabel para se tornar uma amante da corrida. Foi aos 39 anos que tudo começou “o meu marido que já corria acabou por me contagiar com a descrição que fazia das suas experiências. Foi uma excelente oportunidade de passarmos mais tempo juntos e de responder às minhas necessidades iniciais”.

Para ela, agora a corrida é algo viciante, e um processo gradual. Iniciou em pequenas distâncias e aos poucos os grandes desafios foram-lhe despertando o interesse. “Vamos colocando pequenas metas a nós próprios e à medida que conseguimos responder queremos mais e queremos experimentar novos desafios. Foi assim que cheguei às maratonas e às ultramaratonas”. No seu currículo conta já com aproximadamente 130 provas desta natureza, como: o Trail Menorca Cami De Cavalls (2017) de 180 km; Oh Meu Deus (2016) de 160 km; Manaslu Mountain Trail Race (2016) de 153 km; Ultra Trail Sierras Del Bandolero (2016) de 150 km; Bear 100 (2015) de 157 km; Ultra Marin Raid Golfe Du Morbihan (2015) de 177 km e Ultra-Trail Du Mont-Blanc (2014) de 168 km.

“Mas, a que mais me marcou foi, efetivamente, a PT281. Pela preparação que a mesma exige, quer em termos físicos, psicológicos, quer em termos logísticos e de planeamento (obriga ao uso de GPS, a uma boa gestão da hidratação e da alimentação, uma vez que os abastecimentos são bastantes distantes uns dos outros, cerca de 40km).”

A primeira vez que participou na PT281 (I edição) foi em estafetas, em dupla com o marido. “Nunca tinha feito uma prova por estafetas pelo que seria um novo desafio e uma enorme responsabilidade, pois algo que corresse mal implicaria também o meu parceiro. Felizmente conseguimos e aprendemos muito com esta experiência, o que nos permitiu encarar a prova a solo posteriormente”.

E assim foi. Isabel Moleiro voltou a participar, mas a solo, na III edição da prova (2017), e foi a única mulher finalista dos 281km. Individualmente e em estafeta são duas abordagens distintas à mesma prova e por isso implicam uma gestão diferente. “Não existe o peso da responsabilidade e de ter outra pessoa a depender de nós. Teremos outras exigências, mais quilómetros para fazer, e por isso irão surgir novas situações para gerir (gestão do sono, necessidade de variar a alimentação e líquidos, entre outras). Do ponto de vista psicológico e físico, bastante mais duro… Mas, ser finisher era um objetivo e fiquei bastante feliz por o ter conseguido cumprir”.

Algum tempo depois da III edição Isabel recorda com saudades diferentes momentos desta aventura. “A excitação que antecede a prova, o período de adaptação inicial, o falar com os habitantes das várias localidades por onde passamos (querendo perceber o que estávamos a fazer e acabando por nos dar também algumas palavras de conforto, contando-nos pequenas histórias da terra), o carinho e paciência dos voluntários nos abastecimentos, a necessidade constante de fazer uma autoavaliação do nosso estado para garantir o cumprimento do nosso objetivo”.

E após concluir mais um objetivo Isabel Moleiro refere que apesar dos diversos fatores, ao logo da prova, que não são controláveis (alterações climatéricas) é fundamental o bom planeamento, mas mais importante é “a vontade de se desafiar e de acreditar que somos capazes!”